icone-de-lupa
BUSCA

A Escola do futuro, Gilberto Dimenstein

Edição Guia escolas

Não existe escola ideal, assim como não existem comidas, roupas ou músicas ideais. Não se pode dizer que música erudita é melhor do que jazz. Primeiro, porque existem vários tipos e qualidades de música erudita e de jazz. Segundo, porque a melhor música erudita é, em termos de criatividade, tão tocante para a alma como o melhor jazz.
Como as pessoas são diferentes, nutrem diferentes expectativas e respondem de modo diverso aos estímulos exteriores. O que é uma escola boa para um, pode ser ruim para outro.
Os novos padrões econômicos, sociais e tecnológicos, de que se convencionou chamar “era do conhecimento” – nunca se produziu tanta informação e inovação num prazo tão curto -, determinam os ingredientes básicos da educação.
A velocidade do conhecimento, misturada a parâmetros desconhecidos de competição – o que poderíamos traduzir como “globalização”-, exige refinamento de habilidades. Exigem-se, mesmo dos trabalhadores mais comuns, criatividade, capacidade de trabalhar em grupo, intuição e aprendizagem permanente.
Significa, obviamente, que a escola só terá papel relevante se for um espaço de estímulo à criatividade e à imaginação, no qual os alunos desenvolvam projetos de vida, descubram potencialidades e talentos, encontrem estímulo para o autoconhecimento, tenham autonomia de pesquisa. Gostar do que se faz é o primeiro passo para se fazer bem qualquer coisa. E gostar significa, antes de mais nada, conhecer-se.
Na “minha” escola ideal, os estudantes aprendem fazendo, são sempre convidados a observar, experimentar, vêem a relação entre o conhecimento e a sua vida, não são meros ouvintes, mas produtores de conhecimento. Os professores são orientadores apaixonados. Ao lerem uma poesia, fazem as emoções pairar no ar; ao indicarem um livro, conhecem como transformar um personagem num espelho e, ao mesmo tempo, em janelas. Conseguem mostrar como o passado perdura no presente e influencia o futuro – e o que “eu” tenho a ver com essa eterna passagem. Mostram que a gramática não é um amontoado de normas, mas meio de expressão. Ciência não se resume a fórmulas, ela é o encanto da metamorfose.
Nessa “minha escola”, arte e filosofia devem ter tanta importância quanto a língua portuguesa ou a matemática. A escola do futuro, para ser do futuro, tem de se preocupar com o presente. Os estudantes são futuros vestibulandos, futuros médicos, futuros engenheiros. São, no presente, gente, com dores, emoções e sonhos. Treinar o raciocínio e a sensibilidade no presente é um jeito de viver melhor. Mas, de quebra, de preparar-se melhor para o futuro.

*Gilberto Dimenstein é jornalista, escreve livros educacionais, promove experiências curriculares em escolas de ensino médio, é do board do Programa de Direitos Humanos da Universidade de Columbia, fundou a Cidade Escola Aprendiz, um laboratório de inovações pedagógicas.

A ESCOLA DO FUTURO
Gilberto Dimenstein*

Publicação:

Sobre o autor

Guia Escola

Categorias

Mais lidos

  • shutterstock_12780167(1200)

    Problemas de aprendizagem: Estudo revela que alunos acumulam defasagem durante o Ensino Fundamental

    Edição Guia Escolas
  • Ausencia - celio

    Ausência nas aulas e justificativas: como a escola deve agir?

    Edição Guia Escolas
  • hwr - sustentabilidade

    Tradicional, Renovada, Freiriana, Montessori, Freinet, Piaget, Rudolf Steiner, Vigotsky? Edimara de Lima*

    Edição Guia Escolas

MENSAGEM ENVIADA COM SUCESSO!

Agradecemos seu contato, responderemos em breve.

×