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Tradicional, Renovada, Freiriana, Montessori, Freinet, Piaget, Rudolf Steiner, Vigotsky? Edimara de Lima*

Edição Guia escolas


A família e a sociedade estão preocupadas em como preparar a geração, que neste momento se constrói, para assumir o novo mundo do século 21. Perguntas nos assombram como pais e como educadores: Quais serão as características do mercado de trabalho a ser enfrentado por nossos filhos e netos? Qual o perfil de uma pessoa bem-sucedida? Estarão as escolas preparadas para atender a estes novos objetivos? Como garantir a sobrevivência econômica de nossos herdeiros? Como garantir o equilíbrio emocional e afetivo? Como lhes proporcionar felicidade?
O início do século vem sendo marcado por mudanças rápidas em todos os níveis – social, político, econômico, tecnológico – trazendo a necessidade de uma nova escola.
A velocidade espantosa das conquistas tecnológicas exige maleabilidade e adaptabilidade, portanto aprender a aprender deverá ser o objetivo de toda a educação no século 21.
As escolas dividem-se, em primeira instância, em dois grandes troncos: • Tradicionais, as que têm no ensinar o centro de seu processo, portanto o aluno deve adequar-se à escola; • Renovadas, as que têm no aprender o seu maior objetivo e portanto a escola deve adequar-se ao aluno.
As escolas renovadas possuem algumas características comuns: • O aluno é o centro do processo pedagógico; • A função do professor é de mediar e facilitar a aprendizagem; • Os conteúdos são meios para se desenvolver o conhecimento e a habilidade de aprender; • Descartam a “escolarização” do conhecimento ou a falsa erudição; • O “compreender” é mais valorizado do que o “memorizar”. • A leitura compreensiva, crítica e a autoria de textos são objetivos primordiais; • A família é parceira ativa e imprescindível do processo educacional; • A valorização da qualidade e não da quantidade, da vida e não apenas do homem, os processos e não as prescrições (receitas, fórmulas) e a cooperação ao invés da competição.
Celestin Freinet, Maria Montessori e Rudolf Steiner desenvolveram metodologias que permanecem vivas e atuais em seus princípios. Jean Piaget, Lev Vigotsky e Paulo Freire foram pensadores e pesquisadores que revolucionaram a pedagogia e suas obras foram bases a metodologias de aprendizagem.
Especificidades advindas de posturas filosóficas ou produto de pesquisa diferenciam as metodologias renovadas, que são adotadas na íntegra ou parcialmente pelas escolas da atualidade.
Celestin Freinet – a leitura, a escrita, a realidade do meio em que a escola está inserida, jogos, desenhos livres, aulas-passeio e a correspondência interescolar são os instrumentos desta metodologia francesa que através da elaboração de jornais, diários e relatórios promove a cultura do conhecimento. Freinet lutou por conteúdos vinculados à vida, pelo trabalho gerador de prazer e pela valoração igualitária entre atividades manuais e intelectuais.

Maria Montessori – a única mulher entre os grandes educadores citados, tinha na visão sistêmica, na auto-educação e na ciência as bases do seu pensamento; a heterogeneidade das suas classes e o uso exaustivo de material concreto são suas características pedagógicas mais fortes aliadas à promoção da autonomia e a construção da Paz Universal, objetivos maiores da casa-escola sonhada pela educadora italiana que se declarou “cidadã universal” e recebeu três indicações ao Nobel da Paz.
Rudolf Steiner – a Antroposofia foi o alicerce do seu pensamento pedagógico tendo no currículo voltado às necessidades evolutivas do homem através do cultivo das atividades físicas, artísticas e artesanais, em todas as suas faces, a marca maior das Escolas Waldorf. O professor, orientador que acompanha seus alunos por todo o percurso da Educação Fundamental permite uma relação mais profunda e profícua, pois possui uma visão abrangente deste período.
Jean Piaget – pesquisou a aquisição do conhecimento pela criança e de seu trabalho nasceu o Construtivismo, processo pedagógico elaborado por seus seguidores. A escola construtivista possui ambiente que propicia a observação e a manipulação de objetos e situações, através das quais o aluno constrói seu conhecimento. A mediação do professor e grupos de aprendizagens interativas são características desta escola.
Lev Vigotsky – é o pai do sociointeracionismo; sua teoria privilegia a interação social como o grande instrumento pedagógico. A escola vigotskiana tem na linguagem o seu maior objeto de desenvolvimento, pois esta permite a experiência compartilhada que promove o amadurecimento das funções da inteligência, a compreensão e o desenvolvimento dos papéis e funções sociais. Partir do social para o individual é o percurso das atividades escolares preconizado pelo educador bielo-russo.
Paulo Freire – os aspectos político-sociais são a base do seu pensamento pedagógico; para este educador brasileiro o homem necessita viver a democracia desde os bancos escolares e é na troca, no diálogo professor-aluno, que o conhecimento é desenvolvido. A realidade que cerca a comunidade-escola deve fornecer os elementos de análise e pesquisa para educadores e educandos. A “leitura do mundo” é meio e fim da educação freiriana.

*Edimara de Lima, psicopedagoga e coordenadora pedagógica do Congresso Saber 2003

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