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2019 é o ano da virada da BNCC: sua estrutura está pronta?

Edição Guia escolas

Por Adriana L. Albertal*

Quando começamos a ouvir falar sobre a atualização da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sua implementação ainda parecia extremamente distante da nossa realidade cotidiana. Entretanto, agora, estamos praticamente às vésperas do prazo concedido pelo Ministério da Educação (MEC), que é o final de 2019. Temos um ano para encarar as formalidades. Mas, será que esse é um tempo suficiente para promovermos a mudança atitudinal que ela nos propõe?

A convivência em sociedade na atualidade requer aspectos que antigamente ninguém ousava a cobrar da educação formal. Se antes precisávamos apenas saber com o que iríamos trabalhar no futuro para sermos produtivos, hoje é necessário que nossas crianças e adolescentes se tornem adultos e cidadãos conscientes do seu papel no contexto da comunidade em que estão inseridos: a regional e a global, com a missão de contribuir com a sustentabilidade do planeta. A premissa aqui não é apenas contribuir economicamente, mas sim no envolvimento para solucionar grandes questões que assolam o mundo. Para isso, é preciso saber se comunicar, ser criativo, dono de uma postura crítica e analítica, participativo e aberto a encontrar os caminhos de forma colaborativa.

A obrigatoriedade do inglês a partir do Ensino Fundamental II é o mínimo exigido e ela pode ser pensada sob o prisma de “cumprir tabela” ou sob o olhar da chance da mudança que tanto desejamos para a nossa sociedade como um todo por meio de uma educação mais ativa e viva. A verdade é que estamos diante de um “agora ou nunca” para despertar para a grande oportunidade que temos para rever e repensar os programas atuais, com o objetivo de encontrar formatos melhores e mais eficientes que acompanhem todos os aspectos da mudança social vivenciados diariamente nos últimos tempos.

Chegamos no momento em que a roupagem antiga já não nos serve mais. Os paradigmas que rondam a sala de aula e a maior parte das metodologias, baseadas no acúmulo de informações, na memorização e na repetição, não promovem o desenvolvimento adequado esperado para o futuro que já se apresenta como presente. Bem vindos à era da integração da formação e do desenvolvimento!

No dicionário, o termo desenvolver tem significados como fazer crescer, tornar mais forte, aumentar a capacidade, fazer progredir, expandir o plano intelectual e aprimorar. O desenvolvimento implica em, de alguma forma, utilizar toda a bagagem adquirida anteriormente para uma aplicação posterior que objetiva atuar e mudar uma conjuntura. Ou seja, na prática, é o caminho para a transformação. E aqui é que a BNCC propõe a grande virada de chave. O documento fala em competências e habilidades que devem ser trabalhadas para integrar campos que hoje são tratados de forma distinta, como é o caso da dimensão cognitiva e da afetiva.

Estamos falando sobre aprender a aprender para atuar e transformar. O papel da escola deixa de ser o de hospedagem de informação (papel hoje desempenhado brilhantemente pela internet) para dar lugar a uma espécie de hub, que conecta e articula todos esses conteúdos na intenção de orientar que os estudantes entendam como se relacionar e agir perante eles.

Estamos em um momento da contemporaneidade em que a disponibilidade de conteúdo pode ser usada para o bem e para o mal. Veja só as fake news. Por isso é que hoje se requer das pessoas que elas saibam lidar com esse mar de dados para que busquem, selecionem, interpretem e apliquem o conhecimento formado a partir de então com discernimento e responsabilidade para que sejam encontradas respostas que resolvam problemas antigos ou atuais, para que a noção de autonomia seja aprofundada e para que seja possível conviver e aprender com as diferenças e com a diversidade.

Ou seja, temos um ano ou até menos para rever a prática pedagógica que foi nosso alicerce por décadas. Não iremos muito longe se não enfocarmos capacitação, desenvolvimento e formação contínua dos professores. O programa pede por profissionais preparados para atuar enquanto facilitadores e mediadores que conduzem o raciocínio pelos pilares das demandas complexas da vida adulta e da cidadania regional e global ao invés de ser autoridades como fontes de conhecimento.

É claro que precisamos considerar que essa situação não acontece descolada da realidade. O mundo não para na intenção de que seja possível colocar a casa em ordem para recomeçar. O ano letivo recomeça em pouco tempo e as urgências diárias voltam a tomar o tempo e a preocupação dos maquinistas que regem esse trem. Sobra pouca energia e esforços para refletir sobre questões centrais desse processo: o que é que meu aluno precisa aprender, para que e de qual maneira?  Como avaliar seu processo de aprendizagem?

Nenhuma transformação é simples ou fácil, ainda mais quando a trazemos para o recorte da revolução que isso gerará para a educação. Entretanto, é somente dessa forma que traremos o desenvolvimento dos alunos e do País. Ao colocá-los mais no centro e no protagonismo da sua evolução é que eles terão melhores chances para escolher como se conectar com o que o mundo oferece de possibilidades e não apenas dentro das fronteiras do seu país, estado ou cidade, por exemplo.

O inglês precisa estar inserido em todo esse contexto para que entreguemos cidadãos com consciência global e para que eles tenham condições de escolher seus projetos de vida, de carreira e de participação na comunidade global. São pequenos passos todos os dias que constroem novos contextos no mundo e também no Brasil.

*Adriana L. Albertal é diretora da Seven Educacional, área da Seven Idiomas que implanta programas bilíngues certificados por Cambridge English em colégios e universidades e enfoca a capacitação e desenvolvimento de professores em metodologias ativas e estratégias didáticas diversificadas como caminho para desenvolver as habilidades e competências que os alunos precisam para tornarem-se cidadãos globais e alcançar resultados de aprendizagem comprovados por exames internacionais.

Publicação:

Sobre o autor

Vagner Apinhanesi

Jornalista na Editora Educacional.

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