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Como driblar o problema de aprendizagem durante a pandemia de Covid-19?

Edição Guia escolas

Por Fátima Delphino* 

Em 2020, o ano letivo mal havia começado e logo teve que encarar um problema praticamente inédito: a pandemia de Covid-19. O debate sobre as aulas remotas e a presença da tecnologia no dia a dia do aprendizado precisou ficar para depois. Ou melhor, foi realizado ao mesmo tempo que esse modelo era inserido às pressas no cotidiano de professores e alunos. Alguns se adaptaram melhor do que outros a esse momento de dificuldade.

Agora, na virada de 2020 para 2021, o desafio que surge para todos os envolvidos no processo educacional é saber extrair as lições a fim de driblar os problemas de aprendizagem no próximo ano, que ainda não sabe se terá aulas presenciais ou não.

É preciso reconhecer que foi uma mudança em todos os níveis e modalidades dentro da escola nos últimos meses – ajustando-se bruscamente ao ensino a distância. Ninguém estava preparado para o que aconteceu. Nem as escolas, que não tinham acesso a todas as plataformas e aplicativos necessários (na maioria das vezes, vistos apenas como um acessório), nem os professores, que não tiveram tempo para se capacitar de forma adequada, tampouco os alunos, que em sua maioria tinha apenas um celular para acesso à internet e não dispunha de condições para arcar com a velocidade de rede necessária às aulas.

Em suma: houve um impacto profundo na educação do País em 2020. As dificuldades, evidentemente, são muitas. De um lado, as questões técnicas, como internet ruim, falta de computadores com programas atualizados etc. De outro, a relação tempo/espaço do aluno com a escola que passa a ocupar um espaço virtual, dificultando a interação necessária, caso a escola não crie os mecanismos adequados. O estudante precisou “aprender a aprender”. Afinal, por mais que o professor esteja do outro lado da tela, é ele, o aluno, o mentor de sua própria aprendizagem, organizando esse tempo e espaço do melhor jeito que o agradar.

Dessa forma, é função da escola diminuir essas distâncias, utilizando vários recursos comunicacionais se preciso, como WhatsApp, Facebook, Instagram e demais aplicativos. É preciso criar um canal de comunicação direta com os alunos. Nesse sentido, a tecnologia deve ser vista como ferramenta importante no processo de aprendizagem – e será cada vez mais utilizada no futuro. Por meio dela é importante privilegiar essa interação e manter mecanismos para isso. A comunicação fácil e rápida, do ponto de vista tanto técnico quanto humano, deve ser incentivada.

Aprendemos muito em 2020. As aulas remotas, no fim das contas, foram uma grande descoberta com a pandemia de Covid-19. Sem o avanço da doença, talvez as instituições de ensino e os professores demorassem mais para se ajustar a esse conceito. A interação face a face em tempo real por meio de plataformas de videoconferência e aplicativos revolucionou as aulas. Aqueles cursos on-line aos quais nos acostumamos, com a exibição de um vídeo gravado previamente, já ficaram superados, porque as aulas remotas são mais dinâmicas e também colocam o professor em contato direto com o aluno.

Portanto, encaramos uma situação paradoxal no processo educacional: a melhor forma de driblar os problemas de aprendizagem decorrentes da adoção às pressas das aulas remotas é justamente contar com o apoio da tecnologia. É necessário enxergar essas soluções como facilitadoras, em vez de barreiras ao ensino. Até porque, certamente, é um modelo que continuará não apenas em 2021, mas daqui por diante, por trazer economia financeira às instituições e mais agilidade ao aluno. A retomada da educação não será de onde paramos. A escola vai dar um salto gigantesco em direção ao futuro.

*Fátima Delphino é Doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP e possui pós-doutorado em Educação na área de Políticas, Administração e Sistemas Educacionais pela Unicamp. Atualmente, é coordenadora dos cursos de Pós-graduação em Educação do Centro Universitário Salesiano de São Paulo – UNISAL (e-mail: unisal@nbpress.com).

Publicação:

Sobre o autor

Vagner Apinhanesi

Jornalista na Editora Educacional.

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