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Educando para a inovação e inovando para a educação

Edição Guia escolas

Por Andreas Schleicher* (Tradução: Nuvem9Brasil)

As pessoas têm opiniões bem diferentes sobre o papel que a tecnologia digital pode e deve desempenhar nas escolas. Mas simplesmente não podemos ignorar como as ferramentas digitais transformaram profundamente o mundo em torno das escolas. Os alunos que não conseguem navegar em um mundo digital complexo simplesmente não podem mais participar de nossa vida social, econômica e cultural.

No passado, a educação era basicamente ensinar pessoas alguma coisa. Agora, trata-se de ajudar os alunos a desenvolver uma bússola confiável e habilidades de navegação para encontrar seu próprio caminho através de um mundo cada vez mais incerto, volátil e ambíguo. Hoje em dia, já não sabemos exatamente como as coisas se desenrolarão, muitas vezes nos surpreendemos e precisamos aprender com o extraordinário, e às vezes cometemos erros ao longo do caminho. E muitas vezes serão os erros e falhas, quando bem compreendidos, que criarão o contexto de aprendizagem e crescimento.

Na geração passada, os professores podiam esperar que o que eles ensinassem duraria a vida toda de seus alunos. Hoje, as escolas precisam preparar os alunos para mudanças econômicas e sociais mais rápidas do que nunca, para empregos que ainda não foram criados, usar tecnologias que ainda não foram inventadas e resolver problemas sociais e emocionais que ainda não sabemos.

O dilema para os educadores é que o tipo de habilidades que são mais fáceis de ensinar e mais fáceis de testar são também as habilidades mais fáceis de digitalizar, automatizar e terceirizar. A metade dos empregos que conhecemos já pode ser realizada pela tecnologia digital. Simplificando, o mundo já não recompensa as pessoas apenas pelo que sabem – o Google sabe tudo –, mas pelo que podem fazer com o que sabem. Porque esse é o principal diferencial hoje, a educação está se tornando mais sobre formas de pensar; envolvendo criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas e tomada de decisão; sobre formas de trabalhar, incluindo comunicação e colaboração; sobre ferramentas para trabalhar, que inclui não apenas a capacidade de usar a tecnologia, mas também reconhecer o potencial de novas formas de trabalhar. E, por último, mas não menos importante, trata-se das habilidades sociais e emocionais que ajudam as pessoas a viver e trabalhar juntas. Pensemos em coragem, integridade, curiosidade, liderança, resiliência ou empatia.

Tudo isso exige abordagens novas e inovadoras para a educação, onde a tecnologia não pode mais estar à margem da educação, mas precisa ter um papel central para qualquer solução.

Sabemos que professores e lideranças escolares estão trabalhando duro para fazer isso funcionar. Os últimos resultados do PISA mostram que a realidade na maioria dos países está muito atrasada quando se fala em tecnologia. Em 2012, praticamente todos os estudantes de 15 anos nos países que fazem parte da OCDE tinham um computador em casa, mas menos de três quartos usavam um computador ou um tablet na escola e, em alguns países, era menos da metade. De fato, a primeira coisa que os professores dizem aos alunos que entram em uma escola é pedir que desliguem qualquer coisa que tenha um interruptor on/off.

Mas muito mais importante, mesmo quando os computadores são usados nas salas de aula, é o impacto nos resultados de aprendizagem dos alunos. A descoberta mais decepcionante é que a tecnologia parece ser de pouca ajuda para superar as habilidades divididas entre estudantes favorecidos e desfavorecidos. Simplificando, garantir que cada criança atinja um nível básico de proficiência em leitura e matemática ainda parece fazer mais para criar oportunidades iguais num mundo digital do que subsidiar o acesso a dispositivos e serviços de alta tecnologia.

Portanto, é claro que mais da mesma tecnologia não pode ser a resposta. Mas também é claro que precisamos entender isso se quisermos oferecer aos professores ambientes de aprendizagem que apoiem as pedagogias do século 21 e, o mais importante, se queremos proporcionar às crianças as habilidades do século 21 tão necessárias para ter sucesso no mundo de amanhã.

A tecnologia é a única maneira de expandir de forma expressiva o acesso ao conhecimento. Por que os estudantes devem estar presos com um livro didático impresso há dois anos, e talvez projetado há dez anos, quando eles podem ter acesso à melhor e mais atualizada informação do mundo? A tecnologia também oferece excelentes plataformas de colaboração na criação de conhecimento, onde os professores podem compartilhar e enriquecer o material didático. E, de fato, se olharmos para os países onde os alunos tem maior experiência em tecnologia, eles normalmente começam com os professores conectados antes de levarem a tecnologia para as salas de aula. A tecnologia é a melhor aposta para melhorar a aprendizagem experiencial, fomentar pedagogias baseadas em projetos, facilitar atividades práticas de aprendizagem cooperativa, oferecer avaliação formativa em tempo real e apoiar comunidades de ensino. Existem muitos bons exemplos, como laboratórios remotos e virtuais, cursos didáticos altamente interativos que se baseiam no design instrucional de ponta, softwares sofisticados para experimentação e simulação, redes sociais e jogos. E, nada disso vai funcionar sem que os professores se tornem agentes ativos para a mudança, não apenas na implementação de inovações tecnológicas, mas também na sua concepção.

 

*Andreas Schleicher é Diretor de Educação da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A OECD é uma organização internacional composta por 35 países que aceitam os princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado.

 

Este conteúdo é uma sugestão da Nuvem9Brasil, um programa de educação das competências socioemocionais que proporciona aos alunos da Educação Infantil ao Ensino Fundamental das escolas particulares, públicas e ONGs a aquisição e o fortalecimento de valores humanos essenciais, como Honestidade, Cooperação, Perseverança e Gentileza. Atende mais de 500 mil alunos nos Estados Unidos, México, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana e Porto Rico. No Brasil, está disponível em Língua Portuguesa e Inglesa. Saiba mais em www.nuvem9brasil.com.br.

Publicação:

Sobre o autor

Vagner Apinhanesi

Jornalista na Editora Educacional.

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