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O que os resultados do PISA nos dizem sobre a educação do Brasil?

Edição Guia escolas

Por Adriana L. Albertal*

Você já ouviu falar sobre o PISA (Programme for International Student Assessment ou Internacional de Avaliação de Estudantes), certo? Ele é a maior avaliação internacional em educação que tem por objetivo analisar a preparação do estudante para a vida adulta. Basicamente, ele mede o quanto um sistema educacional está pronto para desenvolver seus cidadãos. E a triste notícia é que o Brasil não vai bem. Na penúltima edição, conduzida em 2015 e aplicada em 70 nações, ficamos na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática.

A amostra brasileira contou com 23.141 estudantes de 841 escolas, que representam uma cobertura de 73% dos estudantes de 15 anos. Basta procurar por manchetes como a publicada pelo G1 em dezembro de 2016 (“Brasil cai em ranking mundial de educação em ciências, leitura e matemática”) para conferir o detalhe do resultado.

A chance mais recente de nos redimirmos e mostrarmos que evoluímos aconteceu em maio. A avaliação é aplicada a cada três anos e as conclusões só serão conhecidas em 2019, ano em que também entra em vigor a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Naercio Menezes Filho, professor do Insper e da Universidade de São Paulo (USP), realizou uma análise geral desse panorama e concluiu não apenas que devemos ter uma performance abaixo do esperado como também evoluiu para entender os motivos. Segundo ele, isso se deve não apenas em função de os estudantes não acertarem as questões pedidas, mas sim porque a maioria dos alunos baixa o rendimento ao longo do exame e não consegue terminá-lo. A principal justificativa é que eles não sabem o que é pedido ou têm dificuldade de entender os enunciados.

Ou seja, temos então uma pergunta para guiar a nossa reflexão. Estamos, de fato, incentivando, estimulando e ensinando os nossos jovens, que poderão realizar as transformações que nós, adultos, não conseguimos, a pensar? Como é que desejamos que eles sejam e façam a diferença, se ainda nos preocupamos muito mais com a informação do que com o conhecimento? É isso o que o aprofundamento do professor Menezes significa. Pode até ser que o aluno saiba a informação que responde a questão (até porque isso está disponível facilmente no Google). Mas, ele não tem conhecimento e habilidade suficiente para compreender o contexto.

Ainda é muito restrita a oferta de currículos e propostas mais inovadoras que convidam os alunos a saírem das suas mesas e dos seus materiais didáticos para se desenvolver em um ambiente em que ele é o protagonista da busca por soluções para questionamentos globais é extremamente restrita. E é justamente a democratização desse modelo que a BNCC visa estimular.

O documento serve como um guia para que todos os envolvidos em educação percebam que há uma clara necessidade de mudarmos o foco da metodologia usada. É uma atualização e um apelo pela inclusão de toda nossa sociedade nessa nova forma de pensar. O objetivo é o desenvolvimento de habilidades e competências antes tidas como não responsabilidade da escola para que, quando adultos, os estudantes de hoje estejam preparados para construir um novo mundo. Isso significa que estamos diante de duas prioridades: investir de forma mais inteligente no segmento e, principalmente, capacitar e valorizar a figura do professor.

Esse segundo ponto, inclusive, também se relacionada de forma muito próxima com o PISA. Em Cingapura, na China e no Japão ser professor é sinônimo de prestígio social. Por aqui, a carreira do magistério não é nada atrativa ao jovem que termina a escola regular. Esses países estão no topo do ranking da avaliação. E nós estamos entre os últimos colocados. Assim fica bem óbvio de enxergar que estamos no limite de repensar como estamos formando e atualizando nossos docentes para que eles formem todas as outras profissões da nossa população.

O modelo que prioriza a memorização (seja de informações, de dados ou datas) literalmente faliu! Mais do que ter informação, é preciso saber como interpretá-la, como conectá-las em função de um objetivo previamente estabelecido. Estabelecer quais os problemas e quais as soluções para os mesmos é uma maneira de ativar pensamento criativo conectado com contextos reais. Em contrapartida, os currículos das universidades ainda não estão prontos para fornecer toda a base atualizada de metodologias ativas que necessitamos e, então, as instituições possuem um grande papel enquanto corresponsáveis na capacitação continuada dos seus profissionais.

E o que podemos planejar em conjunto para mudar essa realidade que herdamos?

O PISA é um bom reflexo dos sucessos e dos insucessos globais. Ele produz indicadores que contribuem para a discussão da qualidade da educação para que os países possam subsidiar políticas de melhoria no intuito de formar jovens que exerçam papeis ativos de cidadãos na sociedade contemporânea. E, conhecendo nossa colocação, está na hora de nos questionarmos o que podemos aprender com os sucessos para encontrarmos caminhos que permitam nos conectar e evoluir com eles.

Nesse sentido, o inglês é o caminho para essa conexão que não enxerga barreiras. Essa nova abordagem precisa enfocar a solução para tornar nossos alunos mais pertencentes ao planeta como um todo, parte não apenas da sua nação, mas comprometidos e envolvidos com contribuir com os desafios existentes e os que virão no mundo. A nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está chegando para integrá-la à nossa visão e ao nosso norte para construir uma nova realidade passo a passo no cotidiano.

*Adriana L. Albertal é diretora da Seven Educacional, área da Seven Idiomas que implanta programas bilíngues certificados por Cambridge English em colégios e universidades e enfoca a capacitação e desenvolvimento de professores em metodologias ativas e estratégias didáticas diversificadas como caminho para desenvolver as habilidades e competências que os alunos precisam para tornarem-se cidadãos globais e alcançar resultados de aprendizagem comprovados por exames internacionais.

Publicação:

Sobre o autor

Vagner Apinhanesi

Jornalista na Editora Educacional.

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