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Educação Socioemocional: antídoto contra o bullying

Edição Guia escolas

Por Vagner Apinhanesi

Vez ou outra, ainda são noticiados pelos veículos de comunicação, infelizmente, casos de bullying praticados contra alunos com alguma diversidade ou deficiência, seja na escola pública, seja na particular.

No dia 1º de agosto, mais uma cena de cortar o coração foi ao ar. Numa escola municipal localizada na zona Norte da capital paulista, três alunos atormentavam um outro com Síndrome de Down, que estava totalmente indefeso diante das agressões. A filmagem ocorreu por alunos inconformados com o bullying que presenciavam, mas, aparentemente, não sabiam muito o que fazer, a não ser pedir para que os agressores parassem ou chamar alguém da escola para interromper o ato.

Segundo as reportagens veiculadas, a vítima, de 13 anos, cursa o 7º ano do Ensino Fundamental. O que torna a notícia ainda mais cruel e causadora de indignação é o relato de outras pessoas afirmando que, naquela escola, estudantes dos 7º e 8º anos costumam bater, com frequência, em três alunos com necessidades especiais.

Obviamente, é difícil saber como se comportar diante de episódios desse gênero, mas certamente, pode-se aprender a evita-los. Se já é triste e inadmissível o bullying com crianças e adolescentes sem qualquer tipo de deficiência, o que dizer de atos de violência contra aqueles que às vezes mal podem ou não sabem se defender?

É muito comum ouvir frases do tipo “quando o Estado não ocupa seu espaço, a criminalidade ocupa”, ou “se os pais não se fazem presentes, dão oportunidade para que outros, nem sempre bem-intencionados, influenciem os filhos” etc. Nessa mesma linha, pode-se dizer que quando a educação socioemocional não entra na escola, o bullying é capaz de tomar conta desse espaço magnífico de compartilhamento, de diversidade, de aprendizado e de crescimento, transformando-o num lugar de terror, de medo, de frustração.

Quando os alunos aprendem e podem colocar em prática valores humanos como empatia, respeito e tolerância, entre outros, dificilmente estarão motivados a cometer bullying. Estudantes com iniciativa, compaixão, liderança e sabedoria provavelmente agiriam de forma efetiva para que agressões como essas não acontecessem.

É evidente que as crianças e os jovens precisam aprender a identificar e a lidar com seus sentimentos, da mesma forma que aprendem a utilizar as normas gramaticais, as equações matemáticas, as fórmulas de física.

A Escola, hoje, enfrenta um desafio enorme, pois, ao mesmo tempo em que deve promover a inclusão de alunos com necessidades especiais, precisa, também, ensinar os demais a conviver com tais diferenças, respeitar as características, dificuldades, questões de gênero e diversidade religiosa.

A convivência saudável e respeitosa com as diferenças é a chave para a felicidade do indivíduo, para seu crescimento como pessoa, e as empresas já perceberam isso e passaram a buscar cada vez mais profissionais com competências socioemocionais desenvolvidas. Trata-se de um trabalho que se inicia no seio familiar, mas que deve se estender, ou se aprofundar, nas escolas. As instituições de ensino preparam os cidadãos do futuro.

Mudanças na BNCC

Atento à essa nova demanda das escolas do século 21 e seguindo uma tendência mundial, o MEC promoveu alterações na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que é o documento que determina os conhecimentos essenciais que todos os alunos da Educação Infantil até o Ensino Médio devem aprender. Dentre as mudanças na BNCC a serem implementadas até o início do ano letivo de 2020, estão o ensino e a prática das habilidades socioemocionais.

De acordo com o Programa Nuvem9Brasil, a Educação Sociemocional é o processo através do qual os alunos aprendem, dentro do currículo escolar, a refletir e aplicar, efetivamente, conhecimentos, atitudes e competências necessárias ao longo da vida escolar, educando os corações, inspirando mentes, materializando projetos e contribuindo para a transformação desses alunos através da educação.

Porém, segundo a BNCC, a Educação Socioemocional não será uma disciplina curricular, como matemática ou português, ou seja, os alunos não terão aulas de Empatia ou Cooperação, por exemplo. Mas também não pode ser entendida como algo opcional ou uma atividade extracurricular. As competências baseadas em valores humanos essenciais para o desenvolvimento do indivíduo e para a boa convivência serão trabalhadas em atividades transdisciplinares. Portanto, será necessário promover os ajustes nos currículos escolares e nos materiais didáticos e, além disso, proporcionar o treinamento dos professores.

Uma chance para a paz e a felicidade

As mudanças sugeridas pelas novas diretrizes da BNCC certamente irão requerer um minucioso trabalho por parte dos profissionais da Educação, que podem e devem contar com a assessoria de programas que já atuam com essas novas perspectivas. Todo esse esforço valerá a pena, e a recompensa será para toda a sociedade.

Todo e qualquer indivíduo precisa ser capaz de entender que não se pode buscar a própria “felicidade” – uma pseudofelicidade, ressalte-se – proporcionando o sofrimento do próximo. Também não pode esperar a paz promovendo conflitos, seja de qualquer matiz (ideológico, religioso, racial, de gênero).

Quando valores como solidariedade, amizade, responsabilidade, colaboração, organização, ética, cidadania e honestidade, entre outros, tão desejáveis nos relacionamentos humanos e cada vez mais valorizados e necessários nos dias de hoje, ocuparem os espaços das escolas, as cenas tão cruéis e tristes como as gravadas no dia 1º de agosto, naquela escola da zona Norte da cidade de São Paulo, serão cada vez mais raras. A educação socioemocional é um eficaz antídoto contra o bullying.

Para saber mais sobre Educação Socioemocional e o Nuvem9Brasil, acesse www.nuvem9brasil.com.br.

Publicação:

Sobre o autor

Vagner Apinhanesi

Jornalista na Editora Educacional.

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