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Jornada Bett Online reúne especialistas para debater a Educação Pós-Pandemia

Edição Guia escolas

“Não se mata iniciativas ou criatividade”. Talvez a frase do empreendedor e diretor da Rovio, empresa finlandesa criadora do fenômeno mundial Angry Birds, Peter Vesterbacka, permeie as ações do segmento educacional para o pós-pandemia. De modo geral, essa foi a intenção da Jornada Bett Online, que reuniu alguns dos melhores educadores e especialistas nacionais e internacionais, evento online realizado de 22 a 24 de setembro, com mais de 50 palestrantes durante três dias, em três salas simultâneas e em 30 atividades.

Com o respaldo de experiências e práticas educacionais no Brasil e no exterior, a Bett Educar, maior evento educacional de tecnologia e inovação da América Latina, apresentou durante os três dias de evento online os principais cenários e tendências possíveis para a educação pós-pandemia. Todas as sessões estão disponíveis no site oficial do evento: https://jornadabett.online/programacao.html.

“A educação tem que ser pensada e repensada constantemente e, em meio às incertezas que a pandemia trouxe, todos os palestrantes pontuaram as expectativas para o pós-pandemia, mas sem fórmulas irreversíveis ou mágicas, mas ponderados e indicando o que pode inspirar o segmento educacional, seja público, seja privado, do ensino básico ao superior”, resumiu a diretora de conteúdo da Bett Educar, Maria Alice Carraturi.

Os principais temas e eixos centrais da Jornada Bett Online enfatizaram a gestão educacional pública e privada, formação de professores, inovação, tecnologia, Fundeb, papel do terceiro setor, habilidades e competências socioemocionais.

Mediado por Lia Glaz, Gerente de Pesquisa do Instituto Península, a palestra “Experiência internacional em formação de professores” trouxe excelente contribuições de Paula Lozano, diretora da Faculdade de Educação da Universidade Diego Portales, em Santiago (Chile); e Fernando Abrucio, membro do Conselho de Governança do Todos Pela Educação e professor da FGV.

Para Paula, no pós-pandemia a tecnologia na escola deverá estar associada à formação dos professores. Mas faz uma ressalva: “O presencial é e continuará sendo essencial, mas por outro lado estamos perdendo o medo da conectividade, o que, para os professores, em alguns aspectos, até então era algo impensável”. Já Abrucio destacou que os docentes devem ter como referência o conteúdo, as competências, as habilidades e valores. “O conjunto de competências e habilidades deve ser para o mundo real”.

Imprescindível, a formação de professores para uso de tecnologias foi o ponto forte da palestra Currículos Híbridos, mediado por Luci Ferraz de Mello (ECA/USP), com participação da educadora Betina Von Staa (consultora de Inovação) e Verônica Martins Cannatá (Colégio Dante Alighieri). “A tecnologia faz parte da formação do professor do século XXI, mas é ele quem vai definir todo o processo, e não a tecnologia em si, que é um meio”, ressaltou Verônica.

Sancionada recentemente, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que visa proteger os dados e a privacidade do cidadão, também exigirá que escolas e instituições de ensino entejam preparados e em conformidade com a nova lei. Também com mediação de Luci Ferraz, o tema Segurança da Informação nas Escolas foi debatido por Alessandra Borelli (Opice Blum Academy) e Emerson Bento (Colégio Bandeirantes). “Será importante ter segurança das informações, saber identificar riscos, criar comitês e planos de governança, com diretrizes e normas, além de promover treinamentos contínuos para todos os profissionais”, disse Alessandra.

Palestras Internacionais
Na visão do diretor do Centro de Políticas Comparadas em Educação da Universidade Diego Portales, José Weinstein, apesar dos problemas de engajamento dos estudantes, do aumento da evasão escolar e do impacto para os estudantes mais pobres e prejuízos com o retrocesso na aprendizagem, o lado positivo para a educação chilena foi a aposta no currículo e a criação de um canal de TV educativa.

“O que se espera daqui pra frente são políticas educacionais que pensem mais em inclusão, no bem-estar socioemocional dos estudantes, em inovação, no uso de tecnologias educacionais e ter um maior envolvimento das famílias”, lembrou Weinstein.

O americano Bill Bass, presidente do Conselho da International Society for Technology in Education (ISTE), defendeu que a criatividade e a inovação são formas de tornar a escola mais preparada para o futuro. Durante a palestra Inovação na Educação além de uma Pandemia, Bass argumentou que a inovação, com ou sem tecnologia, é o ponto central para dar oportunidade aos alunos. “A escola deve preparar para a vida. Uma escola pronta para o futuro é aquela que aponta para o que está por vir, que prepara para pensar no que vem a seguir”, disse Bass.

Na palestra Além da Covid-19: Explorando Desafios Continuados de Acesso Digital e Infraestrutura Instrucional, Kenneth Casey Green (Campus Computing Project/EUA), explicou que a maioria das universidades já tem soluções tecnológicas, usam LMS (Learning Management System; em português, Sistema de Gestão de Aprendizagem), streaming e ensino remoto, mas ainda precisa investir mais no uso dessas soluções.

“Há uma diferença grande entre material curricular digital e acesso digital. Mesmo nos Estados Unidos, muitos não têm acesso à internet, ou um bom acesso, e também não têm equipamento adequado. É preciso investir em infraestrutura de forma significativa”, disse Green.

Avaliação da Educação Básica
Outro destaque do evento foi a sessão “Como fica a Avaliação da Educação Básica no Contexto da Pandemia?”, mediada pela presidente da Abave, Maria Helena Guimarães de Castro, com participação do secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares; do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes; e do Professor Emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, José Francisco Soares.

Lopes apontou a necessidade de estudo do impacto da pandemia na aprendizagem e a necessidade de recuperar a rede pública de ensino depois da pandemia. Francisco Soares, por sua vez, destacou que um dos pontos centrais e fundamental como aspecto de inovação, e que é pouco discutido no Brasil, é o que deve ser aceito como evidência de aprendizagem do aluno.

“Será preciso ir além da avaliação só das disciplinas de português e matemática. As avaliações devem incluir outras áreas do conhecimento e também o desenvolvimento das competências socioemocionais. Além disso, ter percepção dos efeitos da pandemia para a construção de um planejamento de atuação do processo de aprendizagem para poder dar feedback aos docentes e estudantes”, disse Rossieli Soares.

Ensino Superior
Para falar do panorama da gestão do Ensino Superior no pós-pandemia, a Jornada reuniu o reitor da PUC/Chile, Ignacio Sánchez; o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel; e o vice-reitor da PUC-PR, Vidal Martins. Knobel explicou que a pandemia trouxe a oportunidade de propor problemas nas aulas, deixando o conteudismo um pouco de lado, uma vez que a interrupção das aulas presenciais é uma marca extremamente interdisciplinar. “Os estudantes devem ser cada vez mais expostos a situações mais próximas da realidade possível, para ajudar a desenvolver competências mais complexas e elevar o nível de aprendizagem”, afirmou Knobel.

Moderada por Luiz Tozi, diretor e professor da FATEC/São José dos Campos, a palestra Novas Tendências para o Ensino Superior reuniu Carolina da Costa (Insper) e Fábio Reis (Semesp). Segundo os especialistas, as instituições de ensino precisam cuidar do cotidiano e manter a capacidade de avaliar o que está por vir.

“Nossas instituições são resistentes, mas o processo de inovação precisa estar em constante análise e dialogar com o estudante, trazê-lo para a discussão sobre inovação e entender que as grandes mudanças têm que ter como grande aliado o professor”, explicou Reis.

Escola e desenvolvimento das crianças
Acolhimento e Vínculo na Escola, uma sessão sobre o distanciamento e a volta às aulas, moderada por Simone André, foi debatida pelo membro do Movimento pela Base Nacional Comum Curricular, André Stábile; e pelo vice-presidente de Desenvolvimento Global e Comunicação do Instituto Ayrton Senna, Emilio Munaro.

Para Stábile, a pandemia mostrou muito claramente para todos a importância da escola para o desenvolvimento das crianças. No retorno, o papel das habilidades socioemocionais vai ganhar relevância, maior até que os conteúdos e as avaliações. “Existe uma discussão de que trabalhar as habilidades socioemocionais vai tirar espaço e competir com o aprendizado das habilidades cognitivas. O que precisamos entender é que a aprendizagem socioemocional está vinculada à cognitiva. Uma auxilia a outra, não existe espaço separado pois são integradas, porque o aluno precisa de estabilidade emocional para aprender”, comentou Stábile.

Na mesma linha, Munaro destacou que a Covid-19 veio como um catalisador que acelerou os processos e os desmistificou. “Para o retorno, temos que estabelecer uma escuta ativa não apenas com as secretarias de educação, que não devem decidir sozinhas. Gestores, professores, famílias e alunos devem ser ouvidos”, disse Munaro.

O evento tratou ainda do papel do terceiro setor na política pública em educação. A diretora de Conteúdo Bett Educar, Maria Alice Carraturi, moderadora da palestra, conversou com a diretora de Educação da Fundação Lemann, Camila Pereira; e o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques.

Camila destacou que a Fundação não vende nem recebe nada do setor público, pois trata-se de um trabalho de apoio. “As parcerias com o terceiro setor agilizam ações, alavancam e potencializam o que o poder público precisa lançar”, disse. Complementando, Henriques falou de transparência e independência, sem troca de recursos. “Os vínculos entre governos, terceiro setor, sociedade civil organizada e instituições de ensino, principalmente numa sociedade tão diversa, produz mudanças significativas, que devem sempre ser monitoradas”, afirmou.

Sobre o período de isolamento e interrupção das aulas presenciais, Alice observou a participação de ambas instituições na proposição de soluções: “Sabemos do desafio que foi para as redes públicas se organizarem para manter algum tipo de atividade escolar para seus alunos, tentando alcançar alguns que tinham menos acesso. E o terceiro setor atuou com parcerias muito importantes”, lembrou Alice.

Estandes Virtuais
Como complemento às palestras, a Jornada Bett Online proporcionou uma visitação virtual a estandes de expositores e patrocinadores do evento, que incluiu agenda para workshops gratuitos. A Jornada Bett Online teve patrocínio do Google Cloud, Redação Online, Edulabzz, ACER, Editora do Brasil, Eleva, Somos Educação, SAS – Plataforma de Educação, Conexia, Nuvem9Brasil, FTD Educação, Kumon e View Sonic.

Sobre a Bett Educar
Parte do portfólio da Hyve Group, uma das líderes mundiais na realização de eventos considerados referência de mercado, a Bett Educar é o maior evento de educação e tecnologia da América Latina. Congrega, anualmente, mais de 270 empresas nacionais e internacionais, mais de 20 startups do setor e cerca de 30 mil participantes da comunidade educacional de todos os estados brasileiros, que se encontram com o propósito de buscar inspiração, discutir o futuro da educação e o papel que a tecnologia e a inovação desempenham na formação de todos os educadores e estudantes.

Publicação:

Sobre o autor

Vagner Apinhanesi

Jornalista na Editora Educacional.

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