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Palestra aborda os benefícios do ambiente lúdico para a primeiríssima infância

Edição Guia escolas

O Grupo de Apoio Pedagógico Anália Franco (Gapa) promoverá, no dia 24 de agosto, o evento Ambientes Lúdicos para a Primeiríssima Infância, com a participação da psicóloga Adriana Klisys, diretora da Caleidoscópio Brincadeira e Arte e autora dos livros Quer jogar? (Edições SESC-SP) e Ciência, Arte e Jogo (Editora Peirópolis), dentre outros.

As vagas são limitadas, e as inscrições podem ser feitas pelo telefone 11 2091-3979 ou pelo e-mail gapanaliafranco@gmail.com. O evento será realizado na Rua Lutécia, 679 – Vila Carrão – São Paulo/SP.

“Trata-se de uma palestra de duas horas destinada a professores e professoras de Educação Infantil e para pessoas interessadas no assunto. Será uma reflexão sobre como o ambiente pode ser um grande parceiro do professor e potencializar as aprendizagens das crianças através da sua linguagem principal, que é o ‘brincar’”, explica a diretora-pedagógica do Gapa, Adriana Tenório.

Segundo a psicóloga Adriana Klisys, o brincar é a linguagem essência da criança, o seu propósito maior de vida, pois através da brincadeira ela exercita sua autoria no mundo, aprendendo a tomar decisões, a se relacionar, a superar desafios e a fazer escolhas.

“O brincar, este espaço de autoria infantil, de exercício de subjetividade, é seu terreno fértil para humanizar-se, fazer parte de um todo maior que é seu coletivo. O brincar não só auxilia o desenvolvimento da criança, é, também, a forma principal da criança se desenvolver, ser quem ela é, ou seja, um ser que brinca”, afirma Adriana Klisys, que também atua como consultora em Educação e Cultura e é curadora da exposição “Brinquedos do Brasil: invenções de muitas mãos”, que está circulando pelas unidades do SESC no País desde 2018.

O ambiente educativo é sempre um espaço de aprendizagem, e isso para qualquer idade. O que diferencia o ambiente lúdico para bebês se refere às reais necessidades de interação e desenvolvimento dessa faixa etária. Os bebês estão especialmente interessados em aprender o funcionamento de seu próprio corpo, conhecer as propriedades dos objetos, suas funções, bem como as reações do outro diante de suas ações. Os bebês precisam, sobretudo, de ambientes afetivos.

“Ambos os espaços, das crianças menores e dos bebês, devem estar preenchidos de uma aura cultural, porque é isso que os introduz em nossa cultura, e quando falo desta ‘aura cultural’, me refiro a tudo de mais refinado que temos em cultura: arte, música, literatura e todo conhecimento acumulado. Não devemos perder de vista que a escola é um lugar de ampliação do universo cultural e relacional das crianças”, diz Adriana Klisys.

Os ambientes lúdicos são apropriados para o desenvolvimento dos bebês e crianças na primeira infância, pois investem em contextos investigativos, ou seja, promovem as pesquisas e descobertas. “A abordagem malaguzziana coloca o ambiente como um terceiro educador. Um ambiente que seja capaz de propiciar aos bebês e crianças pequenas um espaço de experimentos e exploração, ou seja, onde eles possam vivenciar ricas oportunidades de aprendizagens e interações”, explica Adriana Tenório.

Nesse sentido, os ambientes lúdicos não devem ser oferecidos apenas pelas escolas. A família e toda a comunidade precisam propiciar um espaço em que a criança possa fazer parte e tenha seu desenvolvimento de forma plena. Bons ambientes relacionais dão à criança as boas-vindas ao mundo, no qual é preciso aventurar-se e sentir-se segura para poder ser, brincar, se desenvolver, se expressar, conhecer e criar vínculos fortes com os outros e com a cultura.

“Um ambiente saudável para crianças é aquele em que adultos tenham também seu desenvolvimento pleno, pessoal e profissional. Neste sentido, está posto o papel crucial da formação continuada. Um ambiente com adultos que tenham uma formação pedagógica, cultural e humana solidificada é mais do que essencial para a educação da primeira infância, quanto menor a criança, maior a necessidade de conhecimento profissional do educador”, explica Adriana Klisys. “Concordo plenamente com Heloisa Dantas que diz que um professor de crianças pequenas deveria ser PHD. Que é tão ou mais importante a formação do profissional que trabalha com a primeira infância do que o profissional que trabalha com a formação universitária, afinal é o começo de tudo, onde uma série de conexões neuronais estão sendo formadas e tendo suas bases solidificadas. Não dá para construir um edifício sem bases firmes, não?”, defende a diretora da Caleidoscópio.

Ainda segundo Adriana Klisys, um ambiente educativo precisa, também, de adultos mais saudáveis, mais conscientes de seu papel na sociedade e comprometidos, que possam ajudar a formar cidadãos confiantes e com coragem para trilhar os caminhos da aprendizagem. Um ambiente se faz de espaços e relações, e, portanto, cuidar para que as relações sejam o mais sensíveis possíveis é contribuir para uma educação diferenciada.

“O mesmo se passa com a formação humana. Queremos uma sociedade mais cooperativa, amorosa, inclusiva, saudável, que possa encarar os conflitos como desafios e não como ameaças. Queremos uma sociedade com menos necessidade de consumo de ansiolíticos, antidepressivos e tudo o que tira a presença e plena potência humana, e isto tem a ver também como educamos cidadãos”, afirma Adriana Klisys.

Outro fator importante nos ambientes educativos é o acervo lúdico, que corresponde a todo patrimônio material, cultural e simbólico que favorece a imaginação criativa, o brincar e inventar. Esse acervo é constituído de brinquedos industriais, brinquedos artesanais, brinquedos de largo alcance (os polivalentes, para diferentes usos) e, também, o “brinquedo nenhum” (a imaginação que brinca).

“Dentro da categoria ‘brinquedo nenhum’ temos o que pode ser chamado de brinquedo de legado e construção cultural ou tesouro lúdico cultural. São aqueles passados de geração em geração, que fazem parte do repertório infantil, como brinquedos cantados, ladainhas de pular corda, parlendas. Tais brinquedos são legados culturais transformados na ação cotidiana de cada brincante. Por isso é comum ter inúmeras versões de uma mesma brincadeira”, finaliza Adriana Klisys.

Grupo de Apoio Pedagógico Anália Franco
Voltado a educadores e todos aqueles que se interessam pela primeira infância e séries iniciais, o Grupo de Apoio Pedagógico Anália Franco tem como proposta promover ações formativas para promover a reflexão sobre a prática pedagógica, por intermédio de palestras e workshops especializados em educação.

No dia 9 de novembro, das 8 às 17 horas, o Gapa irá promover outro encontro, o Entrelaçando Saberes, com a participação de Ana Paula Yazbek, que abordará o tema “A importância dos registros para a construção do olhar dos(as) professores(as) das crianças pequenas”; e Tais Romero, que falará sobre “Territórios de brincadeiras e exploração – uma experiência do Jardim Fabulinus (Argentina)”.

Caleidoscópio Brincadeira e Arte
A Caleidoscópio Brincadeira e Arte, fundada em 2002, em São Paulo, tem como objetivo promover experiências lúdicas para adultos e desenvolver projetos nas áreas de educação, cultura e saúde, destacando o jogo/brincadeira como processo de criação, integração e tomada de decisão. Para conhecer mais e acessar vários conteúdos gratuitos e download de livros, acesse www.caleido.com.br.

Publicação:

Sobre o autor

Vagner Apinhanesi

Jornalista na Editora Educacional.

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