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Pandemia de Covid-19 e suas consequências emocionais para crianças e adolescentes

Edição Guia escolas

A pandemia de COVID-19, doença respiratória que parou o planeta, pode gerar danos no longo prazo que vão muito além de possíveis sequelas físicas em pessoas que foram gravemente acometidas pela infecção. Se para muitos adultos a privação, o medo e a incerteza sobre o futuro ameaçam a estabilidade emocional, o impacto dessa situação em crianças e adolescentes pode ter consequências mais graves.

Atentos aos riscos e às medidas preventivas, psicólogas e psicopedagogas do Centro Educacional Miraflores estão atuando em esquema de plantão para dar acolhimento a pais e alunos. O colégio bilíngue no Rio de Janeiro dedica-se há mais de 40 anos à Educação Infantil e ao primeiro segmento do Ensino Fundamental.

A proposta é auxiliar, por meio da escuta e do acolhimento, na prevenção e minimização de estresse, ansiedade e outros estados emocionais que podem impactar o desenvolvimento pessoal. Dentre eles: depressão, fobia, síndrome do pânico e até transtornos alimentares.

As psicólogas e psicopedagogas Sônia Teixeira e Marcia Figueiredo destacam que o cuidado é importante porque as crianças estão em processo de construção de identidade. “Elas precisam ter assegurada a perspectiva de futuro. Saber que a pandemia vai passar, que voltarão à escola, à casa dos avós, ao clube, que vão se reconectar. É preciso falar sobre isso com as crianças”, orientam. Abaixo, algumas das recomendações.

1. Manter a rotina: ela é estruturante, funciona como um dos alicerces do desenvolvimento. A quebra abrupta da rotina tem impacto na percepção de segurança, sobretudo em um cenário de incerteza quanto ao futuro. Por isso é importante preservar os hábitos dos dias normais ─ hora de acordar, fazer as refeições e dormir; realizar atividades educativas e recreativas, por exemplo.

2. Fazer conexões: devido ao isolamento social, é muito importante manter a conexão por meio de chamadas de vídeo com pessoas queridas, que fazem parte do dia a dia das crianças, desde a babá até os avós, passando por padrinhos, amiguinhos e outras. “Somos gregários por natureza, precisamos do grupo a todo tempo e agora estamos com medo de estar com o outro”, analisa Sônia Teixeira.

3. Observar sinais de alerta: pais e outros responsáveis devem estar atentos a sinais como ansiedade, irritabilidade, falta de sono ou sonolência, excesso ou falta de apetite, por exemplo. “Questionamentos sobre tudo o tempo todo ou introspecção e desinteresse, como se nada estivesse acontecendo, também merecem atenção”, acrescenta Marcia Figueiredo.

4. Estabelecer limites: não cair na armadilha do “pode tudo” como forma de compensação.

5. Filtrar e dosar as informações: é preciso leveza nas conversas e explicações sobre a situação, e sempre agir com foco nas perspectivas de futuro, com otimismo e crença de que esse momento vai passar.

6. Abrir espaço para o diálogo: estimular a conversa e responder dúvidas dentro do limite de compreensão da criança. “Nem tudo é ruim. Estamos descobrindo outra forma de viver, conviver, aprender. E estamos aprendendo a lidar com novos sentimentos. De certa forma, ficando mais próximos, mais íntimos e solidários, apesar da distância física. É importante falar sobre essas questões”, afirma Marcia Figueiredo.

Nesse processo, as aulas virtuais também são grandes aliadas, com impacto que vai muito além do aprendizado do conteúdo curricular. “Se conectar com o professor ainda que virtualmente, é resgatar uma parte do elo aberto pela quebra da rotina”, defende Sonia Teixeira.

Publicação:

Sobre o autor

Vagner Apinhanesi

Jornalista na Editora Educacional.

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