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Resenha do livro "Receitas Nojentas Idéias Bolorentas", por Manoel Gonçalves

Eeecccaaa!!! Hum, que delícia!

Seus filhos costumam virar a cara quando são servidos com um colorido prato de legumes e verduras? Querem sair correndo, fazem caretas, dizem que vão obedecer etc.

- Não, mãe! Eu prometo que vou me comportar. Isso não! Eu não gosto disso.
- Mas você nem experimentou. Coma que você vai gostar. Nem sabe que gosto tem e já vira a cara.
- Mas eu não gosto. Tem batata frita?

Nessas ocasiões até sopa de minhoca parece mais apetitosa, não é? E por que não? Já que é assim, descobri um livro que eles vão adorar.
Você já imaginou seus filhos comendo Rolinhos de Tatu, Pudim de Língua de Anta ou um delicioso Cérebro de Morcego? Nojento? Mas é como diz uma frase do filme “O Rei Leão” da Disney (aliás, cabe um parêntesis aqui, porque esse filme é simplesmente fabuloso e encanta qualquer um), onde os personagens Timão e Pumba pegam alguns insetos e dizem que é “viscoso, mas gostoso”. Essa é a proposta do divertido “Receitas Nojentas Idéias Bolorentas” de Eliana Martins, publicado pela Melhoramentos.
Minha filha, do alto de seus radiantes 10 anos, até abria algumas concessões para alguns legumes, mas sempre torcia o nariz para algumas coisas e até convencê-la de que “aquilo” era bom sempre se tornava uma briga. Certo dia, navegando na internet, li sobre o lançamento desse livro e, olha só que coincidência, a personagem principal tinha quase a mesma idade e também torcia o nariz para essas “melecas”. Achei que minha filha gostaria e fiz uma caça ao livro da “bruxa”.
Isso mesmo! Bruxa! Pois o livro, além da estória cativante, onde Cecília (a alma gêmea da minha filha) encontra a Dra. Ema Luca iniciando a aventura gastronômica, possui também um teste para a criança se habilitar a ler uma das partes mais ricas do conteúdo: as receitas nojentas de uma bruxa. Mas o melhor mesmo é que, apesar dos nomes esquisitos, tudo é feito com legumes e verduras, pitadas de lirismo e criatividade a gosto. Podem ser executadas pelas crianças, com a ajuda de um adulto. Para completar esse banquete literário, muitas idéias bolorentas, como Fantasias Tresloucadas, Tinta Invisível e um alfabeto codificado para troca de mensagens, que são diversão garantida para as crianças e seus amigos.
Minha filha gostou tanto do livro (literalmente queria devorar seu conteúdo, ou melhor, o resultado das receitas) que me surpreendeu, pois até se candidatou a fazer a feira comigo, coisa a qual ela sempre detestou. Escolheu algumas receitas para experimentar, fez a lista e, antes que eu pudesse cogitar, já estava me convocando a ir às compras.
E não é que algumas das “coisas nojentas” que comi ficaram boas. Sem querer, descobri um jeito de fazê-la comer coisas saudáveis e ainda se divertir. Sei que não dá pra montar todo esse aparato todo dia, mas é uma ótima contribuição para a arte de educar os filhos.

Receitas Nojentas Idéias Bolorentas
Eliana Martins
Melhoramentos, São Paulo, 2006


Manoel Gonçalves


Publicado em 01/01/2010

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